segunda-feira, 3 de abril de 2017


Aos Seus Olhos


Os olhos eram meus
mas você era outro
- viram errado

os olhos erram, seus
olhos quase verdes
e dissimulados

núvens que passam
com os seus desenhos
mal formados...






domingo, 29 de janeiro de 2017



Livrai-me


Livre do ódio daqueles que o impõe
E das cruzes e de todos os credos
Livre do falso amor de quem não ama
Com o sorriso que eles não suportam
De quem é feliz desse lado oposto
Sem farda, sem hino e sem pátria
Com a filosofia de somente amar,
Sem o ódio, a guerra e o massacre
E sem as vendas, as armas, o ataque.
Tantas flores no rosto e na alma
Com a luz que aquece e ilumina
Os dias cinzentos e pesados deles.
Soldados do ódio, do deus vingativo
Eles que carregam tantas armas
Pra quem ainda tiver algum amor
E eles que condenam a morte
Porque nunca souberam a razão de viver.
Livrai-me do ódio, do frio, da miséria
Das palavras sagradas que matam
Que curam, que salvam, que enterram
Livrai-me Deus desse deus que só erra
Livrai-me Deus desse inferno na terra.





O Absurdo


Quando o absurdo nao tem nome
não tem quem diga sua forma
nao tem palavra em que caiba
em todo espaço ele transborda

Quando o absurdo tem silencio
que fala mais que qualquer grito
e até quem olha de longe choca
enquanto ele aumenta e some

Quando o nome nao é esse
nem absurdo nem um choque
nem um tapa nem um sinônimo
que exprima a vulgaridade

Sim, quando tudo é vulgar
uma briga de bar, uma futilidade
um bêbado que tira uma vida
e a própria vida do bêbado

Uma palavra, um gesto, um nada
uma criança com uma arma
todos param e seguem calados
e depois disso "a vida segue"

Quando o absurdo é tao maior
que já nao cabe no peito
que nao cabe no dicionário
nem no rosto nem no papel

Quando o absurdo paralisa
e tudo parado parece inútil
todos os gestos agora mortos
e a morte calada em cada olho

Quando o absurdo é infinito
que todos parecem os mesmos
e tudo continua com naturalidade
enquanto corpos são empilhados.