domingo, 29 de janeiro de 2017

O Absurdo


Quando o absurdo nao tem nome
não tem quem diga sua forma
nao tem palavra em que caiba
em todo espaço ele transborda

Quando o absurdo tem silencio
que fala mais que qualquer grito
e até quem olha de longe choca
enquanto ele aumenta e some

Quando o nome nao é esse
nem absurdo nem um choque
nem um tapa nem um sinônimo
que exprima a vulgaridade

Sim, quando tudo é vulgar
uma briga de bar, uma futilidade
um bêbado que tira uma vida
e a própria vida do bêbado

Uma palavra, um gesto, um nada
uma criança com uma arma
todos param e seguem calados
e depois disso "a vida segue"

Quando o absurdo é tao maior
que já nao cabe no peito
que nao cabe no dicionário
nem no rosto nem no papel

Quando o absurdo paralisa
e tudo parado parece inútil
todos os gestos agora mortos
e a morte calada em cada olho

Quando o absurdo é infinito
que todos parecem os mesmos
e tudo continua com naturalidade
enquanto corpos são empilhados.





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